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Unidade, mas só se for sozinho: quando o discurso não encontra a prática sindical

09/01/2026

A recente publicação do SEEB-MA, que proclama que “2026 exigirá ainda mais luta, unidade e mobilização da categoria”, chama atenção não apenas pelo tom grandioso, mas sobretudo pelo contraste entre o discurso apresentado e a prática política adotada pela entidade ao longo dos anos.

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O texto do SEEB-MA convoca a categoria bancária à consciência coletiva, à mobilização permanente e à responsabilidade histórica de lutar por direitos. No entanto, ao analisar a trajetória concreta do sindicato, surge uma contradição difícil de ignorar: como falar em unidade quando se escolhe, de forma deliberada, o isolamento institucional?

UNIDADE NO DISCURSO, ISOLAMENTO NA PRÁTICA

Enquanto defende a organização coletiva da classe trabalhadora, o SEEB-MA permanece fora de federação, confederação e de qualquer central sindical. CUT, CTB, Força Sindical e outras entidades nacionais, espaços fundamentais de articulação, pressão política e negociação, simplesmente não fazem parte da estratégia do sindicato.

Essa postura, vendida como “autonomia”, acaba se traduzindo em solidão política. Na prática, trata-se de um modelo que enfraquece a representação da categoria, reduz a capacidade de enfrentamento e limita a participação efetiva nas grandes decisões que impactam os bancários em nível nacional.

Unidade não se constrói no isolamento. Mobilização não se fortalece fora dos espaços onde as lutas são travadas.

“A LUTA NÃO SE TERCEIRIZA”… MAS QUEM NEGOCIA?

Outro ponto central do texto é a afirmação de que "a luta não se terceiriza". A frase é forte e carrega um apelo legítimo. Contudo, novamente, a realidade concreta aponta em outra direção.

O SEEB-MA não participa ativamente das mesas nacionais de negociação, não constrói o embate coletivo no momento mais decisivo da campanha salarial e, ao final do processo, adere aos acordos já firmados por outras entidades, por meio de aditivos ou adesões formais à CCT.

É o que muitos bancários já reconhecem como o modelo do "delivery sindical": a luta é feita por outros, as conquistas chegam prontas, e o sindicato aparece apenas para formalizar o que já foi conquistado coletivamente, sem ter estado presente no conflito.

RETÓRICA RADICAL, RESULTADOS LIMITADOS

Não se trata de negar a importância do discurso político ou da crítica ao sistema financeiro, ao Congresso ou ao Judiciário. Esses elementos fazem parte do debate sindical. O problema surge quando a retórica se radicaliza enquanto a prática se acomoda.

Quanto maior a distância da mesa de negociação, mais inflamado se torna o discurso. Quanto menor a participação nos espaços coletivos, mais frequentes são os chamados abstratos à mobilização. O resultado é um sindicalismo que fala muito em coragem, mas evita os espaços onde ela é efetivamente exigida.

2026 EXIGIRÁ MAIS DO QUE PALAVRAS

O ano de 2026 será, de fato, desafiador. Campanha salarial, disputas políticas e ataques aos direitos dos trabalhadores exigirão organização real, unidade concreta e presença ativa nos espaços de decisão.

A categoria bancária precisa mais do que manifestos bem escritos. Precisa de representação efetiva, participação nas negociações, articulação nacional e compromisso com a luta coletiva, aquela que se constrói junto, e não à margem.

Unidade não se proclama: se pratica.
Mobilização não se declama: se constrói.
E coragem não está nas palavras, mas nas escolhas políticas.

O grupo da Renovação Bancária segue acreditando que um sindicato forte não se faz sozinho. Se faz junto.

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